underground, sp

segunda, 6h30 p.m. preciso voltar pra casa depois de um dia cansativo.
faz frio, chove e eu acabei de pisar em merda humana (detalhe charmoso que não seria de bom tom esconder).
entro no terminal barra funda. tento recarregar meu bilhete único, mas a máquina não consegue puxar minha nota surrada de R$20.
desço as escadas.
é muita gente, muita gente aguardando para entrar no vagão.
entro na fila (?) com minha amiga – a mesma que me pagou a passagem para eu não ter que enfrentar a fila de cima, da bilheteria.
esperamos passar uns 6 trens para conseguir entrar – a metade deles passou e não parou; vazios, iam desafogar a próxima estação, ainda mais cheia que esta.
no meio de alguns empurras, começamos a conversar sobre a situação. a menina ao lado disse que aquela cena era normal. a gente falou: normal não, né? pode ser comum, mas não é normal esse espreme-espera-empurra. e emendei: ­­- é tenso isso aqui, estou com medo. ela: – você não é daqui não, é?

não, não sou. ela fez a pergunta correta, pois se perguntasse se moro aqui, diria que faz 20 anos. e que não acho aquilo normal.
eu não dependo de transporte público para me deslocar, eu consigo variar entre vários meios de transporte. mas eu gosto de usar transporte público de qualidade e sei que isso é um direito.
e eu senti medo mesmo. senti uma energia bem ruim.
pensei e se eu tropeçasse no vão, e se ficasse presa na porta se fechando, e se sentisse um homem me roçando.
pensei ainda e se houvesse políticas públicas efetivas, e se o monotrilho ficasse pronto depois de estar 3 anos em construção, e se soubéssemos exigir aquilo que realmente merecemos.
ao invés de continuar pensando, passei a viagem tentando dar risada, falando bobagens.
mas aí um senhor caiu e ficou com o pé preso no vão ao tentar sair na república.
e eu me perguntei: que república.
que república é essa que estamos desconstruindo diariamente.

imagem_wayne levin

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