crap noir

projeto com a parceira de crime Giovana Pasquini:
crap noir, livro experimental dobrável de fotografia. fotos dela com conto meu.

aqui o dito conto:

– Cadafalso.
Ao dizer a senha, a porta se abriu.
Começou a descer os degraus.
Dava para sentir o gosto oxidado do escuro, mais pra baixo a escada o conduzia.
Teve a mesma sensação ruim de quando lhe pediram para encontrar a garota.
O cheiro que subia era a confirmação.
E também o gato da tarde anterior – aquele gato que desfilou pros seus olhos na estação. Maus presságios, como chapéu em cima de uma cama. Ele aprendera a enxergá-los.
Encontrou salas. Não, eram mais como salões – pias, banheiras, cheiro de urina.
Ouvia músicas, gemidos, sons incompreensíveis.
E sempre o cheiro ocre.
Havia pessoas, mas não precisou palavra.
Ele a encontrou.
Sua pele já possuía aquele aspecto de peixe pescado há dias.
Por um momento não soube o que fazer.
Dias depois ela foi encontrada no container de lixo.
Não identificaram o que ou quem causou sua morte.
O caso foi encerrado.

 

 

art nouveau exemplar

o belo. o feminino. o erótico.

conheci o trabalho de um artista que, como Rimbaud ou Álvares de Azevedo, viveu pouco mas produziu o suficiente para ser cultuado até hoje.

Aubrey Beardsley foi um ilustrador inglês que influenciou fortemente as artes gráficas com seus desenhos art nouveau.

aqui, as ilustrações que fez para Salomé, de Oscar Wilde.

acho que vou fazer outra tattoo.

 

 

 

imagens_ brainpickings

sagitta

estava conversando com uma amiga esta semana sobre inferno astral.

ela me disse que nós, os incautos,  o chamamos assim pois é um momento de fato confuso, porém, o que acontece de verdade é que, ao nos aproximar do 12º mês do nosso ciclo, mergulhamos num período de mistério. achei intrigante isso.

a sensação é mesmo esquisita – às vezes quero gritar (e grito sozinha, na minha bolha ford, na marginal pinheiros), outras quero abraçar forte o amigo que me escreve no momento exato que estou pensando nele. plim! e tem momentos que sinto um abandono ancestral, e choro no escuro. vai saber. que confortante foi colocar nome nisso e chamar de mergulho no mistério. por que mistério pra mim é como um céu estrelado, um azul escuro muito muito escuro cheio de olhos me observando.

e esse lance de sagitário. entendo quase nada e acredito em quase tudo. só que acho um glamour quando me perguntam: “que signo você é?” e eu respondo: s a g i t á r i o. como o Jim, que cantava de costas. que cantava com aquela voz dele, de costas.

na origem, a palavra sagittarius, em latim, significa arqueiro, relativo a flechas; sagitta = flecha, seta. na astrologia, o símbolo do arqueiro é baseado no centauro, criatura mitológica com cabeça, braços e torso de ser humano e corpo e pernas de cavalo. na anatomia, diz-se sagital o plano que divide o corpo em metades esquerda e direita a partir de um corte vertical reto. para os mutantes, sagitarius é uma canção mucho loca. qualquer horóscopo vai dizer que pessoas regidas por esse signo adoram liberdade  e são sinceros exagerados. então tá.

21 de dezembro é um solstício, que palavra linda essa. é o dia mais longo do ano (com a noite mais curta) e início do verão no hemisfério sul. e tudo oposto no norte. gente e bicho, esquerda e direita, verão e inverno. se tudo fosse simples assim.

em um 21 de dezembro morria Nelson Rodrigues, aquele escritor que disse o adulto não existe – o homem é um menino perene.

eu concordo. a cada 21/12 eu me sinto mais menina.

imagens_ wikipedia