engasgo

o divino em mim se manifesta na garganta.
é onde tudo acontece.
se feliz, uma comichão,
irritada, um facão,
emocionada, um vulcão.
(não era intencional sair rima.)
o que passa é esse período mesmo, e vou falar:
tá mexido esse rio que sou.
começa tranquilo, ameno.
e depois um sem-fim de corredeiras:
ver o gil magro e inchado ao mesmo tempo.
ver meu pai com músculos fracos,
minha mãe com saudade de bordar por ter as mãos inflamadas
mas cantando sempre, aquele sopro com cheiro de mãe.
e a voz da etta james na outra noite, um louvor e novamente minha garganta coça.
então celebro a nova escola do joão,
novas aulas da fernanda,
as colagens todas dessa travessia.
mas agosto chega, tem summer olympics, ó que alvoroço de abertura
preciso ouvir uns “até que fizemos bonito”
(…)
minha garganta arde, fica em chamas.
se descobre toda uma indignação que vinha tentando cobrir
fazendo força para disfarçar
uma ira de ver os que acham que o Brasil é menos
enquanto eu sei, eu sei de forma ancestral
que ele é mais.
por que a pira olímpica faz isso,
por que?
por que os juízes não promovem justiça?
por que tem horas que eu só queria gritar até esgarçar
e ficar como naqueles sonhos terríveis
que precisa voz mas ela não sai.
que a garganta falha.
minha prece – prestem atenção, deuses
emana da garganta,
habita nela
e é por ela.

walken wild

quando penso em Christopher Walken penso em A lenda do cavaleiro sem cabeça.
e de sua passagem surreal em Pulp Fiction (ele guarda o relógio no c* por 2 anos).
mas também me lembro dele como contador de histórias.

aqui você ouve o maluco lendo o livro Onde vivem os monstros (Where the wild things are, de Maurice Sendak, escritor e ilustrador americano).
por sua vez, este livro virou um filme lindo, do Spike Jonze… mas isso é uma outra história.

 

imagem_ bro council