papa Chico

nada como uma comemoração coletiva, quente, lotada, colorida, vibrante, musical, cantante, com batuque e que lava a alma. que sorte fazer parte, mas que grande sorte!
viva Chico, viva Mama África e “vida longa à presença africana no Brasil”.

salve!

vídeo_Georgia Branco

eu_euforia

escolher palavras para contar o significado da música para um ser pode tomar uma vida. talvez muitas vidas. já pesquisou sobre esse assunto? dizem que a música é uma janela de conhecimento plena, abrindo a maior quantidade de possibilidades. outros dizem não saber onde a música acontece no cérebro, e tenho pra mim que nunca descobrirão, simplesmente  por que ela não acontece lá. é de uma natureza diferente, não-física, não explicável.

este ano eu comecei a cantar. não chego nem perto de achar uma descrição. sou incapaz de expressar a sensação que causa. penso só que me deixa mais poderosa, mais viva, mais conhecedora das outras sensações que sinto. muito, infinitamente melhor que usar qualquer droga. e tem ainda a questão original: minha mãe. uma mulher que possui a voz que é um hino e que me habita desde que existe memória em mim. cantar é, de alguma forma, continuá-la.

o registro abaixo foi feito pelo João no flash mob que participei no começo deste mês (ah, dezembro!) com outras centenas de integrantes do Coral USP, o qual faço parte.

pensa numa pessoa radiante.

imagens_ jpuerro

voz-prece

aconteceu com meu avô.
ele trabalhava nas máquinas de uma indústria de cimento, mas era projetista de cinema e ferreiro nas horas vagas.
dizem que fazia portões lindos, trabalhava lindamente com ferro fundido.
nunca vi uma peça ou foto.
como ele já tinha partido quando eu nasci, não tenho memória alguma sobre sua história, apenas as contadas pela sua filha, minha mãe.
minha mãe se dedicou a vida toda a ser mãe. período integral mesmo, de cinco.
além de preparar nosso café, deixar nossa roupa cheirosa e moldar nossas ideias, a mamãe canta.
canta desde sempre, desde que ela tem lembrança. e a voz dessa mulher… a voz dela é uma epifania.
e não havia registro desse hino que ela entoa. nada, nadinha.
até hoje.
para não repetir o tropeço que aconteceu na biografia do meu avô, eu decidi registrar a voz da minha mãe. menos por isso, na verdade, e mais para prestar um tributo à arte, à memória e a ela, minha musa e amiga de longa data.
o registro é simples, é feito com amor, é amador, enfim (valeu mais uma vez, Giovana!).
ela merecia a Sala São Paulo e sua orquestra, mas é que não deu tempo de combinar com eles.
com vocês, Vandete Cerqueira e sua voz-prece.