expressão, cidade e identidade

esta semana estive no Jardim Lapenna, em São Miguel Paulista, para uma oficina de colagem e arte de rua com os educadores do programa Jovens Urbanos. este é um programa que propõe trabalhar processos de formação ampliada com a juventude e já foi reconhecido pelo MEC como exemplo de inovação e criatividade em tecnologia educacional.
até o fim do ano vão rolar outras oficinas, desta vez com os próprios jovens. e assim seguimos fortes e lutando com as armas  que nos cabem: imaginação, cultura e diálogo.

por uma cidade que tenha a nossa cara, avante.

 

 

ana persona no concreto

no começo deste ano fui convidada pelo Baixo Ribeiro – fundador e curador da galeria Choque Cultural a fazer parte do primeiro festival de Poesia no concreto.

participam diversos artistas que usam a cidade para nela colocar poesia. em forma de lambe, estêncil e grafite, povoamos com textos, imagens e ideias as ruas da Vila Madalena.

participei com meus microcontos visuais, que nasceram de uma justaposição: histórias que há tempos invento, mais imagens que imagino, resultando em colagens.

desde então, 2016 virou um ano experimental pra mim, um espaço onde dou vazão a tantas coisas que habitam minha cabeça e principalmente, minha garganta.

agora esses microcontos estão tomando forma além dos lambes: já viraram postais, cartazes, fotomontagens; já convidei artista para ilustrar conto, já participei de rolês, fui selecionada para feiras, fui convidada para roda de histórias e não paro de criar e colar. como disse o Baixo, experimento “narrativas sem começo-meio-fim.” estilo minha mente.

aqui, mais informação sobre poesia no site da Choque Cultural: poesia urbana e lambe-lambes.

já imaginou? que doidera.

imagem_ jpuerro

 

bienal_o sal de anawana

sabe onde fica a Zambia? nem eu sabia. faz fronteira com Namíbia, Zimbábue e Angola. é uma república nova, independente do Reino Unido desde 1964. antes disso, seu nome era Rodésia do Norte. é de lá a artista Anawana Haloba, que conheci na Bienal.

sua obra aqui chama-se Close up. são cubos de sal suspensos, que se liquefazem e gotejam. eu já tinha visto paredes de sal no deserto, mas vem cá: você imagina cubos coloridos de sal içados no escuro com bacias abaixo deles cheias de água que pinga de pedras que não são pedras e que deixarão de existir ao final da exposição?

entro numa sala assim e saio de lá meio líquida, eu. é uma simplicidade brutal, sal, água, bacias – unida ao testemunho de uma transformação. uma transformação lenta, inevitável. poética, creio. lendo sobre a obra outros significados se somam, claro: ideologia, contexto histórico, simbologia. para mim fica o sal. o vital, o essencial. o sal que nos iguala a todos.

li ainda que ela escreve poemas, mas não consegui encontrar nenhum para dividir aqui. acho que são componentes de obras, como vídeos, fibra de vidro, sal.

a artista tem minha idade e vive em Oslo.

e está aqui na cidade e é imperdível e é grátis.

imagens_ universeskaja leijon, worldflags