ana persona no concreto

no começo deste ano fui convidada pelo Baixo Ribeiro – fundador e curador da galeria Choque Cultural a fazer parte do primeiro festival de Poesia no concreto.

participam diversos artistas que usam a cidade para nela colocar poesia. em forma de lambe, estêncil e grafite, povoamos com textos, imagens e ideias as ruas da Vila Madalena.

participei com meus microcontos visuais, que nasceram de uma justaposição: histórias que há tempos invento, mais imagens que imagino, resultando em colagens.

desde então, 2016 virou um ano experimental pra mim, um espaço onde dou vazão a tantas coisas que habitam minha cabeça e principalmente, minha garganta.

agora esses microcontos estão tomando forma além dos lambes: já viraram postais, cartazes, fotomontagens; já convidei artista para ilustrar conto, já participei de rolês, fui selecionada para feiras, fui convidada para roda de histórias e não paro de criar e colar. como disse o Baixo, experimento “narrativas sem começo-meio-fim.” estilo minha mente.

aqui, mais informação sobre poesia no site da Choque Cultural: poesia urbana e lambe-lambes.

já imaginou? que doidera.

imagem_ jpuerro

 

bienal_o sal de anawana

sabe onde fica a Zambia? nem eu sabia. faz fronteira com Namíbia, Zimbábue e Angola. é uma república nova, independente do Reino Unido desde 1964. antes disso, seu nome era Rodésia do Norte. é de lá a artista Anawana Haloba, que conheci na Bienal.

sua obra aqui chama-se Close up. são cubos de sal suspensos, que se liquefazem e gotejam. eu já tinha visto paredes de sal no deserto, mas vem cá: você imagina cubos coloridos de sal içados no escuro com bacias abaixo deles cheias de água que pinga de pedras que não são pedras e que deixarão de existir ao final da exposição?

entro numa sala assim e saio de lá meio líquida, eu. é uma simplicidade brutal, sal, água, bacias – unida ao testemunho de uma transformação. uma transformação lenta, inevitável. poética, creio. lendo sobre a obra outros significados se somam, claro: ideologia, contexto histórico, simbologia. para mim fica o sal. o vital, o essencial. o sal que nos iguala a todos.

li ainda que ela escreve poemas, mas não consegui encontrar nenhum para dividir aqui. acho que são componentes de obras, como vídeos, fibra de vidro, sal.

a artista tem minha idade e vive em Oslo.

e está aqui na cidade e é imperdível e é grátis.

imagens_ universeskaja leijon, worldflags

bienal_circulando com Bené

[segundo texto sobre artistas da 32ª bienal]

logo na entrada, uma casa de taipas. você se encolhe um pouco para passar pela porta e entra. você está na Ágora: OcaTaperaTerreiro do Bené Fonteles. você entra e fica.

é grande. é um acervo da terra, de raízes, de símbolos reunidos, objetos de muitos lugares. um reencantamento, ele propõe. eu aceito seu convite.

circulando na oca, encontro obras de Paulo Freire, Gilberto Gil e Joseph Campbell, para nomear alguns. uma lenda indígena sobre a criação do mundo, linda, pintada na parede, valeu mais que muitas oferendas juntas. diversos artefatos, uma coleção de uma vida, me pareceu. de muitas trilhas. me senti numa poção, num caldo atemporal de referencias, de caminhos de saberes diferentes.

e agora, fazendo a pesquisa sobre o artista, me parece óbvio que ele seja de um país de floresta, bichos e encantos que vejo em livros e no discovery channel, mas que nunca experimentei – um país chamado Pará.

Bené Fonteles é jornalista, compositor, organizador de eventos, já dirigiu museus, milita pela preservação ambiental e participou de outras 4 bienais, 3 delas antes que eu nascesse. se denomina ‘artivista’. sua maior provocação, creio, seja talvez simples, mas grandiosa: nos fazer reaproximar da emanação poética da natureza.

abaixo algumas obras do artista.

imagens_ nexobienal de curitibao atibaiense, instagram, serurbano