eu digo NÃO

a princípio emudeço, empalideço, perco a fome, a orientação
mas reajo e digo não
não à história
não à ditadura
não à mentira
não à manipulação.
eu digo basta aos desvios,
aos conluios,
aos esquemas, trapaças, mecanismos.
eu digo chega de miopia,
de dissimulação,
de exceções.
grito não a juiz parcial
imprensa parcial
mente parcial
gente parcialmente enfurecida;
chega de pacto,
de supremo, de tudo,
chega de acelera,
de usurpação da bandeira,
de camarote vip,
de fechamento de escola.
chega de narrativas deturpadas.
eu preciso dizer chega também
aos novos-ricos, aos que pensam ser diferenciados
aos que pensam que o esquema os beneficia
eu preciso dizer acordem, estúpidos
não é sobre vocês:
é sobre justiça
é sobre igualdade
é sobre liberdade.
é sobre todos nós.
não tem divisão,
lado,
não tem verde-amarelo que seja seu
ele é nosso.
não, mil vezes não à segregação,
à falta de bom senso
a tudo isso e mais um pouco do que a gente se tornou.
eu digo não ao sono profundo de ideias
eu grito não, repetidos nãos à falta de abertura.
não à ditadura, porra.

mais poesia, por favor

 

nova parceria com a Socialista Morena – que agora cresceu, está de cara nova e cool e linda, mais morena que nunca!

desta vez ilustrei um poema do Airton Bovo:

Matemática
A escritura do terreno,
a mensalidade da escola das crianças,
o cheque que não foi,
o telefonema para falar do advogado e do contador.
No lugar da emoção, uma conversa tática.
Do nosso amor o que restou é matemática.

este e outros poemas estão sendo lançados em Portugal em livro do mesmo nome.
leia-os aqui.

me lambe[-lambe]

dia de lambe.
semana passada colei meus microcontos visuais no parque da vila – nas fraaanjas do beco do batman.
estão la, são parte da exposição de arte de rua poesia no concreto, curada pelo Baixo Ribeiro, fundador da Choque Cultural.
foi colorido e foi revelador.
cidade amarga, sim. e tem dias mais que outros.
mas cidade-expressão combina mais com meu imaginário.
não vai parar, não.

imagens_ joão puerro