O tempo passa na praça

Todos prontos? 2º semestre chegou.

Outro dia estava conversando com minhas irmãs e elas disseram que preferem os meses do final do ano. Porque daí ‘as coisas deslancham’, porque preferem a primavera e o verão… Eu sinceramente não havia pensado nisso antes. Dias e meses são o que são. Nesse clima de existir e nada mais, sugiro aqui algumas praças bacanas em São Paulo, lugares onde a vida passa (como em qualquer outro, afinal), mas que ainda existe espaço para contemplação.

Escolha um banco, acomode-se e bons pensamentos.

 

Praça do Pôr do Sol

Imagine você numa metrópole com mais de 10 milhões de habitantes e de repente te bate uma vontade de ver o pôr do sol. O que fazer – ir correndo para a cidadezinha de interior mais próxima? Olhar suas fotos bucólicas? A resposta é não. São Paulo é tão poesia concreta que te permite até ver o sol se pôr.

Na praça do Pôr do Sol é possível ver o dia ir embora num horizonte repleto de arranha-céus e também aproveitar shows ao ar livre, encontrar pessoas tocando seus instrumentos e fazendo piqueniques em família. É no alto, é bonita, é democrática.

Vai lá: Praça Cel. Custódio Fernandes Pinheiros – Rua Desembargador Ferreira França, s/n – Alto de Pinheiros. http://www.visitesaopaulo.com/tour/pca-pordosol.html

 

 

Praça da República

Localizada no centro da cidade, a praça da República tem ao seu redor avenidas importantes como Ipiranga e São Luís e é visitada diariamente por milhares de pessoas, daqui e de fora.

Serviu de local para rodeios e touradas no século XIX e foi palco nos anos 1930 de manifestações contra a ditadura Vargas.

Hoje abriga uma feira de artesanato que conta com mais de 600 barracas, várias delas oferecendo diversos tipos de comida. A arquitetura de seus limites é outro ponto alto: edifícios de Oscar Niemeyer e outros arquitetos famosos ainda reinam por lá.

E uma vez no centrão paulistano, aproveite para conhecer o Teatro Municipal e a Igreja da Sé, outros pontos imperdíveis da capital.

De metrô é um pulo – se joga! República, s/n.

 

 

Praça Dom José Gaspar

Ainda no centro, atrás da Biblioteca Municipal de SP – a Biblioteca Mario de Andrade – há uma simpática praça chamada Dom José Gaspar, batizada com nome de arcebispo uma vez que há alguns séculos o local era ocupado por um palácio da cúria paulistana antes de se tornar o atual espaço verde de conveniência.

Aos sábados, dia oficial da Feijoada, é possível apreciar a ‘marvada’ trinca samba, cachaça e feijoada no número 86 da praça, na Cachaçaria do Rancho, onde pode-se encontrar mais de 1.300 opções da bebida, de todas as regiões do país.

Meu local preferido, entretanto é o Paribar, no nº 42. Desde 2005, o (novo) Paribar retornou, exatamente no local onde funcionou o antigo Paribar, que era famoso por acolher intelectuais, poetas e boêmios nas décadas de 1950, 60 e 70. Minha sugestão: vá ao balcão e peça diretamente ao barman um drink da coquetelaria clássica da época de ouro do bar. Depois, sente-se a uma mesa do lado de fora, escolha um prato ou petisco e fique olhando o movimento da praça. Relaxe e seja feliz.

Praça Dom José Gaspar, s/n. http://www.paribar.com.br

 

 

O que foi que disse mesmo? Hein? Fala que eu te escuto! Mande um email para padocacult@gmail.com e conte-me uma história sua na capital. Algo que te marcou. Podemos conversar sobre sua história aqui. Até!
(Imagem: Apontador)

geminicinecromatico

Enquanto escrevo este texto, a Argentina está jogando no Mané Garrincha, em Brasília, e está ganhando. Dependendo da combinação de resultados, pode enfrentar o Brasil na final da Copa do Mundo. Mas isso depende de uma porção de coisas, como tudo, enfim. A verdade é que não temos controle sobre nada – e o que importa é manter-nos em movimento. No caminho, aproveitemos para nos divertir – e aqui vão algumas dicas para você se deliciar.

 

osgemeos – A ópera da lua – até 16 agosto 2014

A dupla osgemeos é formada pelos irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, nascidos em São Paulo, onde vivem e trabalham. Com um estilo de desenho imediatamente reconhecível, eles começaram a grafitar no bairro do Cambuci e de lá tomaram o mundo – grafitaram um castelo medieval na Escócia, a fachada da Tate Modern em Londres e possuem trabalhos em cidades dos EUA, Alemanha, Cuba e por aí afora.

É muito interessante ouvir os dois falarem de seu trabalho e a forma que criam, unidos por ideias e inspirações que surgem em um e terminam no outro ou vice-versa, como se fosse apenas uma mente trabalhando.

A exposição atual reúne pinturas, esculturas e uma vídeo-instalação 3D. As obras são apresentadas em um ambiente imersivo, numa natureza fantástica que mistura elementos surreais, cores, sons e padrões.

Lembro-me de visitar sua primeira individual em São Paulo, realizada em 2006 na Galeria Fortes Vilaça e ficar boquiaberta. Eu já os observava pelos muros da cidade e fiquei tão impressionada que fiz um vídeo e um livro infantil com fotos de seus desenhos.

Hoje artistas pop, eles ainda mantém uma linguagem arrebatadora que te captura para uma viagem lisérgica e transformadora. Faça um favor para você: não perca.

No Galpão Fortes Vilaça – R. James Holland , 71. Grátis.

http://www.fortesvilaca.com.br

 

Abraham Palatnik – A reinvenção da pintura – até 15 agosto 2014

Esta é a maior mostra já realizada do artista, consagrado pela criação de obras marcadas pela fusão entre o movimento, o tempo e a luz.

Nascido em Natal (RN), filho de russos, Palatnik passou a infância em Tel-Aviv, onde fez curso de especialização em motores de explosão. Aos 20 anos, voltou permanentemente para o Brasil.

Hoje, aos 86 anos, o artista é um dos pioneiros e a maior referência em arte cinética no Brasil. Um fato que demonstra sua originalidade aconteceu em 1951, quando durante a I Bienal de São Paulo, a comissão internacional não sabia como qualificar sua obra Aparelho Cinecromático Azul e Roxo. Não era uma escultura, tão pouco uma pintura. Era algo que não se enquadrava nas categorias da Bienal. A solução encontrada para garantir o reconhecimento pelo trabalho original e inovador foi lhe dar uma menção honrosa.

Vai lá: MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo. No Parque do Ibirapuera: av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 3. Entrada: R$ 6, gratuita aos domingos.

http://mam.org.brhttp://www.palatnik.com.br

 

Um olhar sobre Cuba – até 10 de agosto 2014

Fotografias, cartazes, livros e vídeos compõem a exposição, que apresenta um olhar específico sobre a política e a cultura de Cuba nas últimas décadas. A coleção particular passeia por diversos aspectos de vida do país, e constitui uma soma de olhares a partir do olhar de quem viveu por lá– a curadora Rose Carvalho morou em Cuba entre 88 e 89.

No MIS – Museu da Imagem e do Som. Av Europa, 158. Grátis.

http://www.mis-sp.org.br

 

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(Imagem: Cotazeroblog)

junho da copa

“Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer o gol
Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?”

Letra de ‘É uma partida de futebol’, do Skank.

 

Na verdade, meu amigo, são todas as partidas de futebol neste mês. E TODAS serão aqui no Brasil. Mundo inteiro olhando, visitando e conectando-se com o nosso país. Gostando ou não da ideia, somos a sede da festa. Vamos nessa.

 

Estreia documentário “Junho”, de João Wainer

Registro das maiores mobilizações políticas do país desde as que pediam o impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992, o documentário Junho estreia nos cinemas brasileiros este mês.

O longa foi dirigido pelo fotógrafo João Wainer, diretor da TV Folha, que usou imagens colhidas pela equipe de reportagem do programa durante as semanas de manifestações em São Paulo, Rio, Brasília e outras cidades brasileiras em junho do ano passado.

A estreia acontece próximo do início da Copa do Mundo, que se transformou em alvo de ataques dos manifestantes. Motivados pelo aumento das tarifas do transporte público, os protestos mobilizaram, inicialmente, estudantes universitários.

Num segundo momento, porém, a adesão de diferentes grupos da sociedade multiplicou a pauta de reivindicações, levando milhões de pessoas às ruas.

O incômodo com os volumosos gastos públicos gerados pela preparação para a Copa, a corrupção, o sistema de representação através de partidos e o governo nacional do PT se transformaram em alvos dos manifestantes.

E agora, escreveu o diretor, “os cargos mais importantes do país estão em aberto. Se tudo pode acontecer em qualquer eleição, imagine nesta.”

“Qualquer movimento pode ser decisivo para o futuro do país. Os olhos do mundo estão fixados na tela para ver como um país decide seu futuro com uma bola no pé e uma pedra na mão. O filme é bom, mas o final pode ser trágico.”

A cobertura dos protestos recebeu o prêmio Esso de “Melhor Contribuição ao Telejornalismo”, de 2013.

Vi o trailer e recomendo: vale conferir.

https://www.youtube.com/watch?v=GQVpspSRhes

Nos cinemas das principais cidades do Brasil a partir de junho.

 

 

“Brasil 20 Copas” – até 7 de setembro 2014

A nova exposição do Museu do Futebol – instituição da Secretaria de Estado da Cultura de SP, localizado no Estádio do Pacaembu – conta a história das 20 Copas do Mundo com o Brasil campeão de todas. Será contada uma nova trajetória do Brasil campeão mundial, sobre todos os campeonatos que ganhamos, perdemos e aqueles com os quais sempre sonhamos. “Nessa mostra, os visitantes descobrirão porque ganhar a taça, para nós brasileiros, é totalmente diferente do restante do mundo. Será uma viagem pelas 20 copas, com a certeza de que o futebol é mesmo misterioso, ilógico e, por vezes, absurdo”, explica Daniela Alfonsi, diretora de conteúdo do Museu do Futebol.

Logo no começo da mostra, você já se depara com duas perguntas-chave: por que ganhamos e por que perdemos? São 20 traves com as respostas – numa história não-oficial e muito bem humorada para o nosso desempenho em todos os campeonatos.

Museu do Futebol – Praça Charles Miller, s/n. Ingressos R$6. Até 13 de julho, o museu funciona até as 21h (bilheteria), permanência até as 22h.

http://museudofutebol.org.br

 

 

São Paulo segue sendo uma artéria pulsante do sangue quente desse país. Me fale o que dela mais pulsa para você e vamos falar sobre isso aqui. Escreva para padocacult@gmail.com e abra o coração.
(Imagem: Museu do Futebol)