minha farra minha opinião

não é que o ano tenha começado na semana passada, mas é que parece. não é que não trabalhei, não viajei, não sofri, ri e chorei de janeiro a 11 de março de 2019. não, não é isso. aconteceu um tanto enorme de coisas, mas agora a rotina se estabeleceu.
e olhando para ela, fiz as contas: este ano passo a ter seis aulas semanais e virei aluna novamente. aulas de canto, de arte-educação e de poesia. senti um prazer enorme quando, numa conversa de quintal, compreendi que apesar das dores, da tormenta de ser testemunha e integrante de uma sociedade enferma, eu sigo fiel aos meus ideais. o gozo foi ainda maior quando me dei conta que recebo esses saberes todos de graça.
não sei explicar a sensação, sinto como um batida de tambor com tom de vitória. luta cotidiana, vitórias diárias, uma cadência assim tu-tu-páh – de que sigo resistindo. dá para colocar em som tudo que se sente? gritar sem ser estridente, ritmar palavras novas aprendidas, descobrir harmonias adormecidas e rimar coletivamente. me deixem cantar, eu quero cantar até o fim, disse elza. musa sabedora de tantas coisas.
a resistência se faz a cada nascer de sol. a resistência se faz assim, assim não sei como, assim no caminhar.

papa Chico

nada como uma comemoração coletiva, quente, lotada, colorida, vibrante, musical, cantante, com batuque e que lava a alma. que sorte fazer parte, mas que grande sorte!
viva Chico, viva Mama África e “vida longa à presença africana no Brasil”.

salve!

vídeo_Georgia Branco

eu_euforia

escolher palavras para contar o significado da música para um ser pode tomar uma vida. talvez muitas vidas. já pesquisou sobre esse assunto? dizem que a música é uma janela de conhecimento plena, abrindo a maior quantidade de possibilidades. outros dizem não saber onde a música acontece no cérebro, e tenho pra mim que nunca descobrirão, simplesmente  por que ela não acontece lá. é de uma natureza diferente, não-física, não explicável.

este ano eu comecei a cantar. não chego nem perto de achar uma descrição. sou incapaz de expressar a sensação que causa. penso só que me deixa mais poderosa, mais viva, mais conhecedora das outras sensações que sinto. muito, infinitamente melhor que usar qualquer droga. e tem ainda a questão original: minha mãe. uma mulher que possui a voz que é um hino e que me habita desde que existe memória em mim. cantar é, de alguma forma, continuá-la.

o registro abaixo foi feito pelo João no flash mob que participei no começo deste mês (ah, dezembro!) com outras centenas de integrantes do Coral USP, o qual faço parte.

pensa numa pessoa radiante.

imagens_ jpuerro