me lambe lá

essas coisas de lambe-lambe, colagem, intervenção urb…
espera, hoje a lambida é outra.
me apresentaram essa música da karol conka e eu estou passada. chapei. ‘direitos de prazer iguais, mais compreensão’, ‘curvem-se, encostem os lábios na flor’.
‘me lambe, me dê uma lambida lá’.
sem mais.

voz-prece

aconteceu com meu avô.
ele trabalhava nas máquinas de uma indústria de cimento, mas era projetista de cinema e ferreiro nas horas vagas.
dizem que fazia portões lindos, trabalhava lindamente com ferro fundido.
nunca vi uma peça ou foto.
como ele já tinha partido quando eu nasci, não tenho memória alguma sobre sua história, apenas as contadas pela sua filha, minha mãe.
minha mãe se dedicou a vida toda a ser mãe. período integral mesmo, de cinco.
além de preparar nosso café, deixar nossa roupa cheirosa e moldar nossas ideias, a mamãe canta.
canta desde sempre, desde que ela tem lembrança. e a voz dessa mulher… a voz dela é uma epifania.
e não havia registro desse hino que ela entoa. nada, nadinha.
até hoje.
para não repetir o tropeço que aconteceu na biografia do meu avô, eu decidi registrar a voz da minha mãe. menos por isso, na verdade, e mais para prestar um tributo à arte, à memória e a ela, minha musa e amiga de longa data.
o registro é simples, é feito com amor, é amador, enfim (valeu mais uma vez, Giovana!).
ela merecia a Sala São Paulo e sua orquestra, mas é que não deu tempo de combinar com eles.
com vocês, Vandete Cerqueira e sua voz-prece.

tambores del sur

o destino escolhido foi o Uruguai. por ser perto, pelo Mujica, pela história, pelos uruguaios.

para comemorar a chegada do João aos 40.

o que a gente encontrou foi um país cordial, tranquilo.

e com gente na rua. sem choque, sem tropa.

gente ocupando a rua.

gente batucando e dançando na rua.

não entendi o que era.

de volta a casa, pesquisei. tola, eu. tem mais de 200 anos, chama-se candombe e é um ritmo herdado dos escravos africanos.

é uma expressão artística e cultural tão definidora da identidade nacional uruguaia que foi declarado pela unesco patrimônio cultural imaterial da humanidade.

é contagiante, é lindo. uma ode às raízes africanas nesta américa que bate ao sul do meu coração.

 

imagem_Eduardo Mayans