oficina na semana de comunicação

tive o prazer de receber 17 participantes numa tarde ensolarada na oficina que dei na Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) em Passos, MG, parte da sua VIII semana de comunicação.
arte fora do museu, linguagens, colagens, paredes, o infinito e além.
solta que a gente vai.

imagens_ mariana aleixo e ana cerqueira

pelas veredas de guima

nonada.
Guimarães tem hora. a minha chegou.
eu ainda não era ainda.
foram oito meses de travessia.
2/3 do ano atravessando os grandes sertões, conhecendo cada mato, planta e buritizal das gerais.
andei com jagunço, ri de bobéias, pitei olhando a lua.
conheci das coisas simples e das profundas com os catrumanos, dansei em encruzilhadas frias. vi o diabo pela greta, mas tive certeza que vi ele sim.
pensei muito naquele senhor ouvinte.
o senhor sabe o que o silêncio é? é a gente mesmo, demais.
aprendi a respeitar Hermógenes.
parava de ler por uns tempos, para desendoidecer de tanta prosa poesia profunda travestida de simpleza. nessas horas era eu que caçava cobertor pra me cobrir o friúme na alma. pelejei para entender algumas passagens que ainda agora não entendo, e outras, sinto passarem dentro de mim como um fiapo de rio, tranquilo de seu caminho, límpido, líquido, natural.
ser forte é parar quieto, permanecer.
mais que apreciar a sofisticação rústica de Tataranas e Diadorins e compadre meu Quelemém, passei a olhar – olhar não, sentir a língua com mais bondade, acho que é isso, ou outra coisa que não sei precisar ainda. permitir, apreciar, abrir lugar para uma fala que existe e que tem espaço, sim.
e que não tem erro, não.
como é que foi para você quando adentrou as veredas?
travessia.