lambendo na jornada

foi adiada mas aconteceu, e eu estava lá: a jornada de comunicação do IFSul teve lambe, teve sim. teve aluno de dentro do instituto, de fora, gente que veio novamente. depois teve roda de conversa, café, carinho, mineiros e paulistas, pessoas diferentes e únicas e interessadas e comprometidas em fazer, mudar, agitar, sair do lugar.

sacode a poeira, canta pra subir, desembucha, vai, não dorme de touca. a vida está passando e não pede permissão. a gente também não.

colando com marias

fim de abril, um outro mês se abrindo e os trabalhos continuam.

estive na MariaLab, coletiva hacker feminista e espaço de acolhimento baseado em políticas anti-opressão falando da tecnologia da colagem, mas não só. falamos da cidade como lugar de expressão, de arte e de diálogo. falamos dessa necessidade de intervir. de abrir, juntar, ouvir, ocupar.

ao final fico sempre com o sentimento de que tesoura, cola e papel podem tanto açucarar ideias quanto arrombar portões. a poesia corta e cura. arre, e eu que já nem sei de mim.

viver colando [palavras]

busco vários motivos para viver colando. um deles é o texto. palavras me motivam. quis brincar com palíndromos, essas palavras ou frases que podem ser lidas da direita pra esquerda ou da esquerda para a direita. estudando o palíndromo, descobri uma técnica literária chamada escrita constrangida, o que, pode acreditar, fez esquentar minhas maçãs do rosto. mas isso é assunto para outro texto.

aqui as colagens para os palíndromos luz azul e assim a aia ia à missa (atribuído a Millor, mas vai saber) – a qual eu imaginei indo rezar vestindo flores. a última colagem escorregou e entrou, embora não pertença à ideia de se manter a mesma de trás pra frente.

tem também uma intenção de figura e fundo da imagem, além da direita pra esquerda da palavra. e terra e água. e luz e sombra. e um vício insistente de observar texto e contexto. e eu preciso confessar que gosto de vícios.