crap noir_desvario

ouço cada som com intensidade quase palpável
um inseto se movendo no andar de baixo
a primeira oscilação de luz que entra no quarto
lá fora não vejo nada e não ouço, mas sei que me vigia
sei que me vigia
desde o dia em que atirei o murano em sua cabeça
enquanto dormia
chamaram de desvario

[crap noir é uma série de fotolivros da fotógrafa e companheira de todas as horas Giovana Pasquini, que me convidou para escrever contos a partir de suas imagens.]

crap noir_testemunha

desde cadafalso (2016), capítulo inicial da série fotográfica crap noir, mais duas edições nasceram. enquanto o primeiro livro continha apenas um conto, os seguintes apresentam três cada um.

crap noir é uma série de fotolivros da fotógrafa e companheira de todas as horas Giovana Pasquini, que me convidou para escrever contos a partir de suas imagens.

o livro impresso está à venda, mas irei publicar os seis contos aqui também.

crap noir_testemunha:

sai enquanto pode
anda acelerada
lembra da viscosidade
do som
do sino
da sina
não sabe se houve crime
não estava lá

escrever memórias

entre janeiro e fevereiro deste ano participei de uma série de encontros da oficina de escrita da memória, realizada pela querida Giselle Rocha no Museu da Pessoa.

depois da experiência de dividir memórias no círculo de histórias, todos redigem, todos editam. ao final, temos um livro, o qual ilustrei a capa.
lá estão histórias sobre a infância, a família, o amor e sobre ser.

meu texto, como microcontos nascem, conta de uma memória recente, uma memória que está ainda sendo desenhada e, espero, defina meu ser. meu ser-estar nesse espaço-tempo.