crap noir_strange

outro dia que nasceu para ser banal como todos os outros.
sai e você estava no banho, não me despedi.
cruzei com multidões, venci túneis, lembrei da gente bebendo
e ouvindo people are strange.
vi um grupo de poucos gritar protestos soltos.
vi a tarde cair
vi uma navalha.
senti um gosto de sangue na boca.
não sei se foi delírio ou por que me lembrei de ontem à noite.

[crap noir é uma série de fotolivros da fotógrafa e companheira de todas as horas Giovana Pasquini, que me convidou para escrever contos a partir de suas imagens.]

jornada da literatura mackenzie

octavio paz. hilda hilst. william blake.
evocamos poetas, falamos poesia, falamos de poesia.
participei da XI jornada da literatura contemporânea do mackezie (26.9.18) como representante da poesia na metrópole, tema do encontro realizado pelo grupo de pesquisa “literatura no contexto pós-moderno” do programa de pós-graduação em letras da universidade.
tive um microfone pra falar e pessoas interessadas em ouvir, fiquei em companhia de poetas, aprendi com versos e me emocionei com palavras e silêncios.
os dias seguem sombrios, talvez outros mais sombrios virão.
falar e fazer poesia é estar de pé, é olhar através, é fortalecer sem perder a ternura jamais.
se a cidade é minha casa, a poesia é minha língua.
sigamos.



crap noir_passagem

chegaram, fizerem dois espetáculos e partiram
não conheço uma alma que tenha assistido
no jornal, a foto mostrava dois anões
é só o que lembro, faz algum tempo
sua passagem poderia ter sido irrelevante,
mas não
um tipo estranho de pássaro agora sobrevoa a cidade

[crap noir é uma série de fotolivros da fotógrafa e companheira de todas as horas Giovana Pasquini, que me convidou para escrever contos a partir de suas imagens.]