intervenção de inverno

não bastam lua obscena, frio da montanha e fogo para aquecer, tem que ter colagem. minha semana na serra da mantiqueira em microcontos foi assim, ó:

_um very cherry descontrole
_acordou ensolarada
_paris,texas das terras altas
_quando canta liberta cor
_major tom me visita. às vezes.

oficina no palácio

16 de junho, é outono ainda.
a cidade está transformada: acontece o 1º festival nacional de teatro de passos. as ruas, o teatro, os espaços de arte, tudo pulsa.
nesse contexto inédito para a cidade, o muro do palácio da cultura, sede da secretaria da cultura virou palco para uma intervenção urbana.
falamos de arte, de rua, sobre a cidade, a necessidade de ocupação, a importância do diálogo, a ressonância das vozes.
aproveitamos o clima de manifestação cultural que estava embalando a cidade, nos sintonizamos, ouvimos cada nota e transformamos em cor.
cada um uma expressão. cada mente um recorte.
e o sol do outono, ainda carinhoso, parecia estar por dentro. é possível um astro reinar assim?
é, sim.

imagens_ joão puerro

corpo político-sensível

dia 11 de março foi um dia daqueles. depois de uma série de três encontros do projeto corpo político, corpo sensível, aconteceu uma intervenção para celebrar as trocas e aprendizados de todas nós sobre a presença poética e política da mulher no espaço público. o que posso dizer? expressar em palavras? acho que elas não dão conta do sentido fundo que senti. ou só por agora ainda não dão, pois é preciso tempo para encaixar tudo por dentro. é certo que experimentei coisa demais, sensações novas, um estar feminino, um lugar de fala seguro, uma ocupação da rua e de outros espaços, daqueles que não posso passar coordenadas precisas. um monte de gratidão, realização, compreensão, muitos ãos, essa é a verdade.

além das fotos do dia 11, divido aqui também o exercício-observação que fiz para o primeiro encontro, em outubro do ano passado.

Dia 18 de outubro, terça.
Acordo pensando no nascimento do Romeu, filho da minha amiga mais antiga, minha amiga de infância, minha irmã de rua. Tudo corre bem mas meu coração fica agitado mesmo assim.
Fico em casa, trabalho num roteiro, vou buscar meu mac que travou e estava no hospital dos macs.
Penso na reunião de nome intrigante que vai rolar à noite: encontro corpográfico.

***

Saio de casa para ir ao encontro.
No caminho para o ponto de ônibus, paro no boteco/restaurante/padoca, esse local tão paulista, para comer algo. A música rolando é um sertanejo. Peço um croissant de quatro queijos e uma média. Penso que sou grata aos portugueses por terem sido eles a miscigenar nossa terra e não os espanhóis, mas que uma coisa eu admito ser mais legal em espanhol: chamar croissant de media luna.
Penso de novo que o Romeu nasceu – e eu?
Entro no ônibus.
Coloco o novo álbum do Sabotage, lançado no dia anterior, 13 anos após ele ter sido assassinado.
Bang bang.
Ônibus é um evento, antes de tudo: sala de trabalho, happy hour, recarga pro celular.
E a Zona Sul viaja no corredor rumo à Bandeira.
Vou olhando pela janela. Pedaços de luz chegam em mim. As pessoas, não.
Nove de Julho foi uma revolução. Necessidade atual: evolução.
Todos verão o horário de verão.
Minha garganta dói.


Pixo, lambe, letreiro, placas
Sinalização, anúncios
Respiro.
Mais placas, fones de ouvido
Coques, tattoos, bonés
Expiro.
Prédios espelhados, túnel,
Malditos fios e um pixo:
Noiva, não case virgem.
Inspiro.
O dia vai escapando,
Mais um.
Menos um.