beirando o ano

na beirada do ano eu olhei minha família e me vi em mil folhas.
contemplei o atlântico e ouvi barulhos de pensar em planos futuros.
eu vi peixes listrados duplicados de tamanho através daquele efeito amplificador das lentes,
senti meu corpo tremular na água salgada e meu olho ardeu como gengibre.
eu mandei manipular fórmulas, e vi me manipularem na minha cara e sem pudor, sem nem poesia.
eu deixei de encarar multidões, deixei de estudar aulas e de exercitar músculos, eu deixei só para ver como é.
arrumei prateleiras e cantei palavras inventadas.
eu troquei coisas de lugar e acordei lembrando de sonhos – os sonhos insistem em me banhar de estrelas.
li dois livros entre as estradas interestaduais, e comecei outro, e nesse avisto as veredas.
eu olhei fotos de mulheres vulgares e fiquei com vontade de ser uma delas.
quero muito apalpar isso e aquilo que não sei
quero histórias.

na ciranda

no começo de novembro participei da Ciranda – 4º encontro de contadores de histórias no Senac Aclimação.

fui a convite da querida contadora e professora Elaine Gomes. sim, preciso dizer: é um assombro como as histórias tem força.

foram dois dias de música, poesia, cordel, tambor, performance, palavras e encontros. eu fiquei tímida e ao mesmo tempo lisonjeada. fiquei assustada e encantada, de ouvidos abertos e coração acelerado. conheci pessoas, pude ver caminhos.

levei minhas colagens e microcontos, falei deles, de poesia urbana, e de como estou vivendo essa experiência que sonhei viver: andar junto, sempre junto e para sempre junto de memórias e histórias. e de como estou sendo a autora de uma. em uma palavra: satisfação.

imagens_ Giovana Pasquini