crap noir_cadafalso

projeto com a parceira de crime Giovana Pasquini:
crap noir, livro experimental dobrável de fotografia. fotos dela com conto meu.

aqui o dito conto:

– Cadafalso.
Ao dizer a senha, a porta se abriu.
Começou a descer os degraus.
Dava para sentir o gosto oxidado do escuro, mais pra baixo a escada o conduzia.
Teve a mesma sensação ruim de quando lhe pediram para encontrar a garota.
O cheiro que subia era a confirmação.
E também o gato da tarde anterior – aquele gato que desfilou pros seus olhos na estação. Maus presságios, como chapéu em cima de uma cama. Ele aprendera a enxergá-los.
Encontrou salas. Não, eram mais como salões – pias, banheiras, cheiro de urina.
Ouvia músicas, gemidos, sons incompreensíveis.
E sempre o cheiro ocre.
Havia pessoas, mas não precisou palavra.
Ele a encontrou.
Sua pele já possuía aquele aspecto de peixe pescado há dias.
Por um momento não soube o que fazer.
Dias depois ela foi encontrada no container de lixo.
Não identificaram o que ou quem causou sua morte.
O caso foi encerrado.

 

 

crap noir, uma série

paranoia, assombro, intriga.
e um punhado de sangue.
os filmes noir sempre foram simbólicos para Giovana.
sem muito delinear quando, ela começou a carregar para a fotografia, essa linguagem atemporal forjada na luz, o espírito da sombra noir.
noir é seu cacoete preferido, talvez.
tanto que me contaminou para emprestar palavras às fotografias e assim tornar tudo mais enevoado.
então criamos capítulos de uma série fotográfica obscura, o crap noir.
costuramos um a um e fomos com eles participar da foto feira cavalete no fim de junho, no MIS.
uma viagem unir palavras e imagens e não fazer isso só.
avante noir, avante sonhar.

 

imagens_ Giovana Pasquini

fotolivro

pensamentos e palavras são como ímãs?

ontem estava conversando com uma amiga sobre seu projeto para um livro de fotografias.

hoje, sem querer, conheço um fotolivro que, em 2014, foi escolhido pela revista Time com um dos melhores do ano.

chama-se Centro e foi fotografado, editado e produzido pelo fotógrafo paulista Felipe Russo.

muito interessante a entrevista em que ele conta sobre a etapa que acha mais importante, “a escolha e o sequenciamento das imagens”. era sobre exatamente isso que conversávamos. e sobre o título que ela vai escolher.

espero, em breve, mostrar o livro dela aqui.

e viva os ímãs.