crap noir_strange

outro dia que nasceu para ser banal como todos os outros.
sai e você estava no banho, não me despedi.
cruzei com multidões, venci túneis, lembrei da gente bebendo
e ouvindo people are strange.
vi um grupo de poucos gritar protestos soltos.
vi a tarde cair
vi uma navalha.
senti um gosto de sangue na boca.
não sei se foi delírio ou por que me lembrei de ontem à noite.

[crap noir é uma série de fotolivros da fotógrafa e companheira de todas as horas Giovana Pasquini, que me convidou para escrever contos a partir de suas imagens.]

crap noir_passagem

chegaram, fizerem dois espetáculos e partiram
não conheço uma alma que tenha assistido
no jornal, a foto mostrava dois anões
é só o que lembro, faz algum tempo
sua passagem poderia ter sido irrelevante,
mas não
um tipo estranho de pássaro agora sobrevoa a cidade

[crap noir é uma série de fotolivros da fotógrafa e companheira de todas as horas Giovana Pasquini, que me convidou para escrever contos a partir de suas imagens.]

crap noir_desvario

ouço cada som com intensidade quase palpável
um inseto se movendo no andar de baixo
a primeira oscilação de luz que entra no quarto
lá fora não vejo nada e não ouço, mas sei que me vigia
sei que me vigia
desde o dia em que atirei o murano em sua cabeça
enquanto dormia
chamaram de desvario

[crap noir é uma série de fotolivros da fotógrafa e companheira de todas as horas Giovana Pasquini, que me convidou para escrever contos a partir de suas imagens.]