mundo mundo vasto mundo

o menino e o mundo é, eu diria, um explosão bem delineada.

tem tanto que ver no meio de tudo aquilo que vemos de boca aberta.

tem o português ao contrário e as placas com caracteres indecifráveis criando uma linguagem só válida para o filme.

tem as cores e o traço do lápis de cor, que unidos ao movimento fazem um percurso estético incomum.

tem os batuques, os barbatuques, o naná vasconcelos e o emicida.

tem o resultado de 3 anos de trabalho.

ah. vida longa e linda aos contadores de histórias coloridas.

 

imagem_ alê abreu

2 vezes burroughs

todo janeiro tem Sundance Film Festival.

neste ano, o filme que me chamou atenção chama-se Uncle Howard.

é um documentário (do sobrinho) que revisita um outro, lançado em 1983 (por seu tio Howard, do título), sobre William S. Burroughs – escritor, poeta e um dos fundadores do movimento Beat.

Aaron, o sobrinho, recuperou vários materiais do próprio bunker do escritor. aquele foi então o único documentário sobre sua vida em que ele colaborou e deu total suporte (Burroughs: The Movie).

admiro o cara (o poeta!) mesmo que meu conhecimento e admiração de verdade sejam por Jack Kerouac… de Burroughs, lembro da participação premonitória em Drugstore Cowboy e da entrevista que fez com Bowie.

mais curiosidade dos documentários? a participação de outro cineasta muso, Jim Jarmuch. no primeiro ele era técnico de som, no recente, virou produtor executivo.

preciso ver, preciso ler. a pilha ao lado da cama não para de crescer.

espia o trailer do filme aqui.

 

texto sem sentido

imagina assim: começam a ser reportados casos de pessoas perdendo o olfato.

algumas, depois outras, e de repente todo o mundo. é uma epidemia.

primeiro eles se desesperam – e se perdermos outros sentidos?

mas a esperança é que a doença atinja apenas os sentidos químicos – porque se perdeu o olfato, a população perdeu também o paladar.

a vida segue. as pessoas se acostumam.

a crítica gastronômica dos restaurantes – pobres restaurantes! – passa a descrever os pratos como crocantes, esponjosos, quentes, gelados.

com a perda da capacidade de sentir cheiro, aos poucos as pessoas também vão perdendo a memória.

agora imagina um povo sem memória.

é triste, ao mesmo tempo emocionante, observar como as pessoas passam a viver sem sentidos; ver o que passa a ter sentido.

em pouco tempo começa outra desgraça: seguida de uma crise de fúria, um ataque de ira, vem a perda da audição. vem o silêncio.

o governo aconselha aos surdos ficarem em casa.

o cenário já é apocalíptico.

mas piora.

porque desce a escuridão.

***

assisti esse filme numa noite fria, sozinha.

chama-se perfect sense.

comecei a escrever sobre ele e já nem sei por quê.

 

imagem_ rosangela rennó