minha farra minha opinião

não é que o ano tenha começado na semana passada, mas é que parece. não é que não trabalhei, não viajei, não sofri, ri e chorei de janeiro a 11 de março de 2019. não, não é isso. aconteceu um tanto enorme de coisas, mas agora a rotina se estabeleceu.
e olhando para ela, fiz as contas: este ano passo a ter seis aulas semanais e virei aluna novamente. aulas de canto, de arte-educação e de poesia. senti um prazer enorme quando, numa conversa de quintal, compreendi que apesar das dores, da tormenta de ser testemunha e integrante de uma sociedade enferma, eu sigo fiel aos meus ideais. o gozo foi ainda maior quando me dei conta que recebo esses saberes todos de graça.
não sei explicar a sensação, sinto como um batida de tambor com tom de vitória. luta cotidiana, vitórias diárias, uma cadência assim tu-tu-páh – de que sigo resistindo. dá para colocar em som tudo que se sente? gritar sem ser estridente, ritmar palavras novas aprendidas, descobrir harmonias adormecidas e rimar coletivamente. me deixem cantar, eu quero cantar até o fim, disse elza. musa sabedora de tantas coisas.
a resistência se faz a cada nascer de sol. a resistência se faz assim, assim não sei como, assim no caminhar.

parede na barra funda

rolou a mistureba yemanjá, festa de música brasileira que me convidou para colar. ganhei uma parede e criei uma colagem pra ela. foi uma viagem o processo todo, a cola vai te ensinando sobre o papel, o papel sobre a técnica, a técnica sobre o espaço, o espaço sobre o tempo.

o lugar chama-se 4e20 bar e a colagem vai ficar lá até… até quando yemanjá levar. axé.

encontros da cola

Bruno, Cauê, Lúcia, Geandre, Kiko, Laura, Ronaldo, Raquel, Olga. colagem. poesia. cidade. Fernando Pessoa, política, Ai Weiwei, educação, Bob Marley, nós e eles, nós. não há eles, há nós. a palavra que define o club cola #4 é encontro.
e teve a exposição da Mariana Martins que inaugurou e vai até janeiro. tá linda.

é um caminho sem volta, esse, o dos encontros.