maré delas

em fevereiro o Sesc Bertioga me convidou para participar do Maré Delas, uma programação socioeducativa, cultural e esportiva voltada ao protagonismo de mulheres em diferentes áreas da sociedade. a ideia era realizar oficinas de lambes e arte urbana. e a ideia se concretizou no último fim de semana e não poderia ter sido mais lindo. lindo por causa da resistência através da expressão e da poesia, lindo por causa das mulheres, homens e crianças que participaram, lindo pela experiência de trabalhar para e num lugar que respeita seu trabalho.

foram duas oficinas, uma dentro do Sesc e outra na pista de skate da cidade – e a programação continua por todo o mês de maio, com cinema, teatro, dança, torneios. de quebra, eu conheci um lugar incrível – o Sesc Bertioga é uma colônia de férias em uma RPPN, Reserva Particular de Patrimônio Natural, dentro da Mata Atlântica – e fiz parte de um movimento que não tem limite, mesmo que alguns insistam em boicotar: a construção de cidadãos através da arte e da educação.

minha farra minha opinião

não é que o ano tenha começado na semana passada, mas é que parece. não é que não trabalhei, não viajei, não sofri, ri e chorei de janeiro a 11 de março de 2019. não, não é isso. aconteceu um tanto enorme de coisas, mas agora a rotina se estabeleceu.
e olhando para ela, fiz as contas: este ano passo a ter seis aulas semanais e virei aluna novamente. aulas de canto, de arte-educação e de poesia. senti um prazer enorme quando, numa conversa de quintal, compreendi que apesar das dores, da tormenta de ser testemunha e integrante de uma sociedade enferma, eu sigo fiel aos meus ideais. o gozo foi ainda maior quando me dei conta que recebo esses saberes todos de graça.
não sei explicar a sensação, sinto como um batida de tambor com tom de vitória. luta cotidiana, vitórias diárias, uma cadência assim tu-tu-páh – de que sigo resistindo. dá para colocar em som tudo que se sente? gritar sem ser estridente, ritmar palavras novas aprendidas, descobrir harmonias adormecidas e rimar coletivamente. me deixem cantar, eu quero cantar até o fim, disse elza. musa sabedora de tantas coisas.
a resistência se faz a cada nascer de sol. a resistência se faz assim, assim não sei como, assim no caminhar.

parede na barra funda

rolou a mistureba yemanjá, festa de música brasileira que me convidou para colar. ganhei uma parede e criei uma colagem pra ela. foi uma viagem o processo todo, a cola vai te ensinando sobre o papel, o papel sobre a técnica, a técnica sobre o espaço, o espaço sobre o tempo.

o lugar chama-se 4e20 bar e a colagem vai ficar lá até… até quando yemanjá levar. axé.