a_normalidade

ontem o brasil elegeu um presidente fascista.
a democracia deixou que 57 milhões de pessoas o elegessem.
a democracia permitiu que eu estivesse nos outros 89 milhões que não votaram nele.
a democracia permitiu que a destruíssem no dia 28 de outubro de 2018.
o normal no país nesses últimos tempos era ouvir ‘mas ele não vai fazer tudo aquilo que diz’, ‘é da boca pra fora’. o normal, vejam, seria escolher um representante que não cumprisse. um representante que mente. o normal foi substituído pela sua antítese.
anormais viraram os que não aceitaram o normal.
a norma era viver numa realidade inventada, numa que tinha vida em celulares e telas pretas. o debate foi abolido. defesa de argumentos e de fatos não aconteceu por que uma parte se negou a dialogar. diz que negou por carregar fezes numa bolsa externa – e, meus caros, eu queria que isso fosse uma piada ou até uma metáfora, mas não: uma bolsa de merda.
a outra bolsa, mostravam as pesquisas, subia com o jair subindo nas pesquisas.
o mercado pira. as mina pira. deu no new york times, só que nem assim houve jeito.
o jeito foi que acordamos com um fascista sentado na cadeira de presidente.
com supremo, com tudo.
com a grande mídia tradicional, com a cbf, com escola sem partido, com a perda de direitos, com privatizações, com o dólar, zap, tudo.
tudo, exceto nós.

brilhando em berlim

era uma tarde fria e eu, tomando um cálice de vinho branco, conversei com a bia. ela na alemanha, eu na serra da mantiqueira. ela inicia a conversa:
“ana, me lembro que certa vez você me disse que consegue explicar coisas complexas de uma maneira simples”.
entre esta frase e o prêmio que conquistou de outstanding thesis award aconteceu um trabalho delicioso e gratificante.

a bia é uma amiga de muito tempo, publicitária, cientista social e pesquiseira. trabalhou por muitos anos com pesquisa de mercado, dados, perfis, informações de tudo que é jeito. morou em são paulo, nova york e agora, berlim.
depois de um ano estudando na berlin school of creative leadership, se deparou com o desafio: explicar sua extensa pesquisa de MBA em creative data para uma banca de professores em apenas 30 minutos.

juntas, criamos a apresentação que a fez ganhar o reconhecimento máximo da escola alemã de criatividade, o michael conrad outstanding thesis award.

foi um processo incrível: li sua pesquisa, entendi o framework que construiu, propus seu discurso e uma revolução na ordem da narrativa (que ela aceitou) e chamamos uma designer sensível e experiente para ilustrar toda a história. foi sucesso: a banca amou, a aluna brilhou e a escola premiou.

e eu? eu me engrandeço junto e lanço a praga: um dia a tese dela vira livro.
anotem aí.

jornada da literatura mackenzie

octavio paz. hilda hilst. william blake.
evocamos poetas, falamos poesia, falamos de poesia.
participei da XI jornada da literatura contemporânea do mackezie (26.9.18) como representante da poesia na metrópole, tema do encontro realizado pelo grupo de pesquisa “literatura no contexto pós-moderno” do programa de pós-graduação em letras da universidade.
tive um microfone pra falar e pessoas interessadas em ouvir, fiquei em companhia de poetas, aprendi com versos e me emocionei com palavras e silêncios.
os dias seguem sombrios, talvez outros mais sombrios virão.
falar e fazer poesia é estar de pé, é olhar através, é fortalecer sem perder a ternura jamais.
se a cidade é minha casa, a poesia é minha língua.
sigamos.