minha farra minha opinião

não é que o ano tenha começado na semana passada, mas é que parece. não é que não trabalhei, não viajei, não sofri, ri e chorei de janeiro a 11 de março de 2019. não, não é isso. aconteceu um tanto enorme de coisas, mas agora a rotina se estabeleceu.
e olhando para ela, fiz as contas: este ano passo a ter seis aulas semanais e virei aluna novamente. aulas de canto, de arte-educação e de poesia. senti um prazer enorme quando, numa conversa de quintal, compreendi que apesar das dores, da tormenta de ser testemunha e integrante de uma sociedade enferma, eu sigo fiel aos meus ideais. o gozo foi ainda maior quando me dei conta que recebo esses saberes todos de graça.
não sei explicar a sensação, sinto como um batida de tambor com tom de vitória. luta cotidiana, vitórias diárias, uma cadência assim tu-tu-páh – de que sigo resistindo. dá para colocar em som tudo que se sente? gritar sem ser estridente, ritmar palavras novas aprendidas, descobrir harmonias adormecidas e rimar coletivamente. me deixem cantar, eu quero cantar até o fim, disse elza. musa sabedora de tantas coisas.
a resistência se faz a cada nascer de sol. a resistência se faz assim, assim não sei como, assim no caminhar.

RaiZ weiwei

o poder que um artista e sua obra têm sobre seu imaginário é algo para ser compreendido em uma vida inteira.
“penso muitas vezes que não existe essa coisa de “você” e “eu”.  eu não existo, existo em relação àquilo que fiz”.
obrigada, ai weiwei.

a_normalidade

ontem o brasil elegeu um presidente fascista.
a democracia deixou que 57 milhões de pessoas o elegessem.
a democracia permitiu que eu estivesse nos outros 89 milhões que não votaram nele.
a democracia permitiu que a destruíssem no dia 28 de outubro de 2018.
o normal no país nesses últimos tempos era ouvir ‘mas ele não vai fazer tudo aquilo que diz’, ‘é da boca pra fora’. o normal, vejam, seria escolher um representante que não cumprisse. um representante que mente. o normal foi substituído pela sua antítese.
anormais viraram os que não aceitaram o normal.
a norma era viver numa realidade inventada, numa que tinha vida em celulares e telas pretas. o debate foi abolido. defesa de argumentos e de fatos não aconteceu por que uma parte se negou a dialogar. diz que negou por carregar fezes numa bolsa externa – e, meus caros, eu queria que isso fosse uma piada ou até uma metáfora, mas não: uma bolsa de merda.
a outra bolsa, mostravam as pesquisas, subia com o jair subindo nas pesquisas.
o mercado pira. as mina pira. deu no new york times, só que nem assim houve jeito.
o jeito foi que acordamos com um fascista sentado na cadeira de presidente.
com supremo, com tudo.
com a grande mídia tradicional, com a cbf, com escola sem partido, com a perda de direitos, com privatizações, com o dólar, zap, tudo.
tudo, exceto nós.