jornada da literatura mackenzie

octavio paz. hilda hilst. william blake.
evocamos poetas, falamos poesia, falamos de poesia.
participei da XI jornada da literatura contemporânea do mackezie (26.9.18) como representante da poesia na metrópole, tema do encontro realizado pelo grupo de pesquisa “literatura no contexto pós-moderno” do programa de pós-graduação em letras da universidade.
tive um microfone pra falar e pessoas interessadas em ouvir, fiquei em companhia de poetas, aprendi com versos e me emocionei com palavras e silêncios.
os dias seguem sombrios, talvez outros mais sombrios virão.
falar e fazer poesia é estar de pé, é olhar através, é fortalecer sem perder a ternura jamais.
se a cidade é minha casa, a poesia é minha língua.
sigamos.



escrever memórias

entre janeiro e fevereiro deste ano participei de uma série de encontros da oficina de escrita da memória, realizada pela querida Giselle Rocha no Museu da Pessoa.

depois da experiência de dividir memórias no círculo de histórias, todos redigem, todos editam. ao final, temos um livro, o qual ilustrei a capa.
lá estão histórias sobre a infância, a família, o amor e sobre ser.

meu texto, como microcontos nascem, conta de uma memória recente, uma memória que está ainda sendo desenhada e, espero, defina meu ser. meu ser-estar nesse espaço-tempo.

 

 

eu digo NÃO

a princípio emudeço, empalideço, perco a fome, a orientação
mas reajo e digo não
não à história
não à ditadura
não à mentira
não à manipulação.
eu digo basta aos desvios,
aos conluios,
aos esquemas, trapaças, mecanismos.
eu digo chega de miopia,
de dissimulação,
de exceções.
grito não a juiz parcial
imprensa parcial
mente parcial
gente parcialmente enfurecida;
chega de pacto,
de supremo, de tudo,
chega de acelera,
de usurpação da bandeira,
de camarote vip,
de fechamento de escola.
chega de narrativas deturpadas.
eu preciso dizer chega também
aos novos-ricos, aos que pensam ser diferenciados
aos que pensam que o esquema os beneficia
eu preciso dizer acordem, estúpidos
não é sobre vocês:
é sobre justiça
é sobre igualdade
é sobre liberdade.
é sobre todos nós.
não tem divisão,
lado,
não tem verde-amarelo que seja seu
ele é nosso.
não, mil vezes não à segregação,
à falta de bom senso
a tudo isso e mais um pouco do que a gente se tornou.
eu digo não ao sono profundo de ideias
eu grito não, repetidos nãos à falta de abertura.
não à ditadura, porra.