poesia expandida

manifesto que criei para o coletivo balbúrdia

por uma poesia expandida
que preencha muros, becos, avenidas, bueiros, fossas,
uma poesia que marche
rompa galáxias
fique espalhada pelas folhagens
entre pelas frestas
chegue no estudante
no vizinho
na quebrada
na bala da agulha de quem atira
de quem atura
de quem deseja
viceja
vislumbra.
por corpos em poemas
poemas-objetos
poemas empunhados
palavras caligrafadas
rompidas e
depois coladas.
por versos empoleirados
poesias móveis
poemas a céu aberto
poemas com vísceras
perturbações poéticas,
por um tanto de poesia que ocupe os espaços
escorra pelos degraus
faça dilatar as veias e
voar os véus.
por uma poesia de poetas que falham,
poetas que falam,
tocam flautas
e no instante segundo
se quebram em silêncio.
por rosas que são rosas e são rosas.

minha farra minha opinião

não é que o ano tenha começado na semana passada, mas é que parece. não é que não trabalhei, não viajei, não sofri, ri e chorei de janeiro a 11 de março de 2019. não, não é isso. aconteceu um tanto enorme de coisas, mas agora a rotina se estabeleceu.
e olhando para ela, fiz as contas: este ano passo a ter seis aulas semanais e virei aluna novamente. aulas de canto, de arte-educação e de poesia. senti um prazer enorme quando, numa conversa de quintal, compreendi que apesar das dores, da tormenta de ser testemunha e integrante de uma sociedade enferma, eu sigo fiel aos meus ideais. o gozo foi ainda maior quando me dei conta que recebo esses saberes todos de graça.
não sei explicar a sensação, sinto como um batida de tambor com tom de vitória. luta cotidiana, vitórias diárias, uma cadência assim tu-tu-páh – de que sigo resistindo. dá para colocar em som tudo que se sente? gritar sem ser estridente, ritmar palavras novas aprendidas, descobrir harmonias adormecidas e rimar coletivamente. me deixem cantar, eu quero cantar até o fim, disse elza. musa sabedora de tantas coisas.
a resistência se faz a cada nascer de sol. a resistência se faz assim, assim não sei como, assim no caminhar.

RaiZ weiwei

o poder que um artista e sua obra têm sobre seu imaginário é algo para ser compreendido em uma vida inteira.
“penso muitas vezes que não existe essa coisa de “você” e “eu”.  eu não existo, existo em relação àquilo que fiz”.
obrigada, ai weiwei.