mais poesia, por favor

 

nova parceria com a Socialista Morena – que agora cresceu, está de cara nova e cool e linda, mais morena que nunca!

desta vez ilustrei um poema do Airton Bovo:

Matemática
A escritura do terreno,
a mensalidade da escola das crianças,
o cheque que não foi,
o telefonema para falar do advogado e do contador.
No lugar da emoção, uma conversa tática.
Do nosso amor o que restou é matemática.

este e outros poemas estão sendo lançados em Portugal em livro do mesmo nome.
leia-os aqui.

unidos lambemos

dessa vez a oficina de lambes aconteceu no 5º Passos para a moda, uma semana dedicada à criação promovida pelo IFSul, escola maneiríssima que só conhecia de fama.

e é sempre assim que acontece: muita surpresa. além de ver a produção de cada participante, o poder único de cada mente, tem a chance do encontro, essa palavra tão importante no meu altar das palavras. conhecer gente nova, e, dessa vez, um lugar lindo que, espero, muitos alunos possam conhecer e aproveitar. imaginem um espaço de ensino gratuito, com salas equipadas, alunos felizes, professores apaixonados e que aceita cãezinhos vira-latas soltos no campus. eu quero mais disso pra gente. eu desejo isso para todos vocês. avante lambemos!

ah, e ainda ganhei de presente um registro caprichado feito por dois alunos queridos (e profissas), espia aqui e assista um pedacinho do que rolou. obrigada, minas gerais!

 

no consultório

esta semana eu fui à ginecologista, a clássica consulta anual.
como recentemente mudei de plano de saúde, precisei buscar um novo profissional. não pedi referência a ninguém, apenas consultei o catálogo do plano e escolhi por critérios simples (distância da minha casa, por exemplo).
cheguei, sentei, esperei.
entrei. ela me cumprimentou da cadeira.
olhando para o computador, me disse que faria algumas perguntas:
“toma algum remédio”, “tem doenças na família”, sente alguma dor ou desconforto”, “fuma”, “alérgica a algo” e mais outras.
depois de entender que era apenas uma consulta de rotina, disse que pediria alguns exames.
digitou, digitou.
imprimiu três guias de exames.
me entregou e acenou com a cabeça um “ok, é isso”.
confusa, eu franzi a testa e perguntei: “você não vai me examinar?”
e ela me arremessa a bomba:
“se você quiser, eu posso”.

ca-ra-lho. mil caralhos voadores.
a vontade era dizer: sim, sonhei com você duas vezes essa semana, não via a hora de sentir seu espéculo na minha xoxota, mas ao invés disso pus aquele roupão descartável ridículo e abri minhas entranhas para a doutora.

pensei várias possibilidades: a médica me achou saudável por fora e desencanou de olhar por dentro, confiou 200% na minha palavra de não sentir dor, acha úteros órgãos muito feios, não curte pequenos, curtos ou grandes lábios, é preguiçosa.
não cheguei a conclusão alguma (exceto de que não volto mais lá), mas fiquei bolada: um médico que pergunta ao paciente se ele quer ser examinado. é isso mesmo que está rolando no mundo?

minha mãe diz que não se encontra mais médicos como antigamente. é foda de triste, mas nesta semana tive que concordar com ela.

foto_ simone badana