crap noir_no escuro

alguma coisa escapava e não conseguia saber o que era.
o ritmo dissonante da passagem do tempo?
a rua proibida estava se tornando mais reconhecível,
mas certo era que algo sempre dava errado naquele lugar.
começou a ouvir um som distante, um uivo talvez?
sim, era definitivamente um uivo.
tentou andar, não conseguia. sentiu um hálito quente.
se esforçou pra correr, embora não saísse do lugar.
uma escuridão tomou conta.
acordou.
estava ensopada de suor.
abriu os olhos, esfregou-os com força, mas aceitou:
não enxergaria nunca mais.

[crap noir é uma série de fotolivros da fotógrafa e companheira de todas as horas Giovana Pasquini, que me convidou para escrever contos a partir de suas imagens.]