pelas veredas de guima

nonada.
Guimarães tem hora. a minha chegou.
eu ainda não era ainda.
foram oito meses de travessia.
2/3 do ano atravessando os grandes sertões, conhecendo cada mato, planta e buritizal das gerais.
andei com jagunço, ri de bobéias, pitei olhando a lua.
conheci das coisas simples e das profundas com os catrumanos, dansei em encruzilhadas frias. vi o diabo pela greta, mas tive certeza que vi ele sim.
pensei muito naquele senhor ouvinte.
o senhor sabe o que o silêncio é? é a gente mesmo, demais.
aprendi a respeitar Hermógenes.
parava de ler por uns tempos, para desendoidecer de tanta prosa poesia profunda travestida de simpleza. nessas horas era eu que caçava cobertor pra me cobrir o friúme na alma. pelejei para entender algumas passagens que ainda agora não entendo, e outras, sinto passarem dentro de mim como um fiapo de rio, tranquilo de seu caminho, límpido, líquido, natural.
ser forte é parar quieto, permanecer.
mais que apreciar a sofisticação rústica de Tataranas e Diadorins e compadre meu Quelemém, passei a olhar – olhar não, sentir a língua com mais bondade, acho que é isso, ou outra coisa que não sei precisar ainda. permitir, apreciar, abrir lugar para uma fala que existe e que tem espaço, sim.
e que não tem erro, não.
como é que foi para você quando adentrou as veredas?
travessia.