ali babá e os 40

o que é, na verdade, fazer 40?

é olhar para o futuro? é pegar uma cadeira de praia, sentar relaxada e repassar o passado? ou tomar uns goles de água, contemplar o agora e agradecer que chove em todo solstício?

nunca um mistério tão grande me acercou assim. nunca um dezembro me fez tremer, literalmente tremer como este. outros teores, nenhuma teoria. escavações sem plano, sonhos balançando como roupas no varal. o que pertence, o que contém, quantas bifurcações cabem, qual o nível de açúcar, que beijos resistem.
que timbre tem uma sensação, como medir o tanto que vibra? que eco ainda não voltou?

sei pouco, vejo apenas os presentes:
palavras de galeano, folhagens desenhadas, entidades das profundezas do mar.
música que cantamos juntos.
papéis, mapas, uma mapoteca secular.
um copo cheio de minas gerais – sempre ela, um sopro vindo de onde um dia ainda vou voltar.
uma ceia sem hora pra terminar.
palavras e sonhos anotados. a lembrança que desejo bom mesmo seria entender toda e qualquer língua.
não me canso, não me cansarei, não posso parar de querer.
querer bem. querer e sonhar.

 

papa Chico

nada como uma comemoração coletiva, quente, lotada, colorida, vibrante, musical, cantante, com batuque e que lava a alma. que sorte fazer parte, mas que grande sorte!
viva Chico, viva Mama África e “vida longa à presença africana no Brasil”.

salve!

vídeo_Georgia Branco

eu_euforia

escolher palavras para contar o significado da música para um ser pode tomar uma vida. talvez muitas vidas. já pesquisou sobre esse assunto? dizem que a música é uma janela de conhecimento plena, abrindo a maior quantidade de possibilidades. outros dizem não saber onde a música acontece no cérebro, e tenho pra mim que nunca descobrirão, simplesmente  por que ela não acontece lá. é de uma natureza diferente, não-física, não explicável.

este ano eu comecei a cantar. não chego nem perto de achar uma descrição. sou incapaz de expressar a sensação que causa. penso só que me deixa mais poderosa, mais viva, mais conhecedora das outras sensações que sinto. muito, infinitamente melhor que usar qualquer droga. e tem ainda a questão original: minha mãe. uma mulher que possui a voz que é um hino e que me habita desde que existe memória em mim. cantar é, de alguma forma, continuá-la.

o registro abaixo foi feito pelo João no flash mob que participei no começo deste mês (ah, dezembro!) com outras centenas de integrantes do Coral USP, o qual faço parte.

pensa numa pessoa radiante.

imagens_ jpuerro