ao país profundo

Episódio

Carlos Drummond de Andrade

 

Manhã cedo passa

à minha porta um boi.

De onde vem ele

se não há fazendas?

 

Vem cheirando o tempo

entre noite e rosa.

Para à minha porta

sua lenta máquina.

 

Alheio à polícia

anterior ao tráfego

ó boi, me conquistas

para outro, teu reino.

 

Seguro teus chifres:

eis-me transportado

sonho e compromisso

ao País Profundo.

 

imagem_ Ana Cerqueira

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *